Inspirado no neonazismo, O Ovo da Serpente fala sobre a crueldade humana e a banalização da vida

SOBRE O EVENTO

Início: 05/08/2017 21:00h
Fim: 27/08/2017 19:00h
Onde: Viga Espaço Cênico (Sala Viga) Rua Capote Valente, 1323 – Pinheiros/ SP – a uma quadra do Metrô Sumaré.

Primeiro texto teatral do ator e jornalista Rudson Mazzorana - dirigido por André Grecco - aborda supremacia racial, antissemitismo, intolerância e violência.

 

Com direção de André Grecco, o espetáculo O Ovo da Serpente, de Rudson Mazzorana, estreia no dia 5 de agosto (sábado) no Viga Espaço Cênico, às 21 horas.

 

A trama – que apresenta três personagens insólitos: Lascívia (Glória Rabelo), Jack (Zaqueu Machado) e Mike (vivido pelo próprio autor) - fala de um assassino neonazista que convida um jovem psicopata para testar o caráter de sua esposa, uma ex-prostituta judia. No entanto, algo foge do controle.

 

A ficha técnica traz ainda Heron Medeiros na cenografia, Fred Silveira na trilha sonora original, Danielli Guerreiro no figurino, François Moretti na iluminação e Rafael Sunny na coreografia de cenas, entre outros.

 

Lascívia e Jack moram em uma espécie de casa-laboratório e, assombrados pelo passado, vivem uma relação que oscila entre poder e submissão, sanidade e loucura. Ela, convertida ao catolicismo, é uma prisioneira de portas abertas que guarda em uma caixa vermelha segredos e confissões. Jack, por sua vez, é médico, um assassino de aluguel integrante de uma facção neonazista empenhada na higienização de raças, utilizando os seres “inferiores” como cobaias em experimentos médicos.

 

Jack se sente inseguro por estar envelhecendo e perdendo a força física. Com o intuito de colocar à prova o caráter e a cumplicidade de sua mulher, ele introduz o jovem Mike em suas vidas. Invasivo, ácido, perverso e astuto como uma raposa, Mike não se limita apenas a infernizar a vida de Lascívia e testar seus limites: invade ferozmente a intimidade do casal, mexendo com os brios do assassino de aluguel. O que era para ser um simples teste torna-se um pesadelo. Utilizando a mesma premissa nazista, abraçada por Jack e abominada por Lascívia, o misterioso e psicopata Mike resolve seguir adiante com seu plano de vingança. Atormentado, o rapaz usa de toda a perversidade para se vingar do casal, prendendo-os em um sádico jogo psicológico.

 

Em O Ovo da Serpente a realidade interna é mais explicita que a realidade aparente. A violência e o sadismo permeiam toda a encenação. Lascívia e Jack têm um relacionamento ligado pelo masoquismo e sadomasoquismo. Apesar da dependência que têm dessa relação, a solidão mútua é perceptível: diante da distância física e afetiva, os diálogos transformam-se em quase monólogos. Enquanto Jack vive a ameaça da fragilidade do corpo, Lascívia vive em um plano alheio de realidade. Dividida entre as personalidades da prostituta Madalena e da ingênua Maria, sua dor pode ser expressa até mesmo em forma de poesia.

 

A trama se desenrola com forte traço psicológico, onde as personagens são prisioneiras de suas próprias ações, de seus próprios destinos. Explora a crueldade da natureza humana numa abordagem atemporal que joga com o passado, onde o nazismo impera com sua guerra racial, e um futuro visto pelo prisma do passado. O Ovo da Serpente usa o neonazismo como argumento para refletir sobre questões atuais da humanidade como solidão, falta de diálogo, intolerância racial, ignorância social e violência. Para o autor Rudson Mazzorana, “a montagem é um alerta social que visa, por meio do choque de realidade, refletir a banalização da vida e questionar o processo de desumanização, o qual expõe o homem moderno a um mundo intolerante de violência gratuita”.

 

A concepção de André Grecco é carregada de simbolismos. A solidão pode estar no distanciamento físico nas cenas. O abismo moral tem reflexo na desconstrução física, à medida que esses três seres animalescos se deparam com as consequências de seus atos.  Segundo o diretor, a complexidade psicológica os atira nesse abismo, onde a destruição é constatada na ação cênica e no ambiente físico. “A ‘queda’ das personagens é orquestrada junto com a transformação do figurino, que acompanha a desconstrução das personagens, e do cenário, que se transforma no decorrer da história e se queda, literalmente, ao final, como uma terra arrasada, destruída pela guerra”, comenta.

 

André Grecco afirma que o texto de Mazzorana é muito bem articulado, rico em imagens e intensidade. “As personagens são potentes e, no decorrer da trama, descobrimos quem elas realmente são nesse mundo surreal. A peça já inicia com a tensão dramática no auge e a violência é uma constante nessas relações frias e de total dependência. Muito bem construído, o texto explode em um realismo que irrompe qualquer expectativa da realidade, para assim confrontar o retrocesso humano com o progresso tecnológico”, finaliza o diretor.

 

Ficha técnica

 

Dramaturgia: Rudson Mazzorana

Direção: André Grecco

Assistência de direção: Rogério Troiani

Elenco: Glória Rabelo, Rudson Mazzorana e Zaqueu Machado

Cenografia: Heron Medeiros

Trilha sonora original: Fred Silveira

Figurino: Danielli Guerreiro

Coreógrafo: Rafael Sunny

Desenho de luz: François Moretti

Designer gráfico: Heron Medeiros

Direção de produção: Rudson Mazzorana

Fotografia: Ricardo Peres

Teaser: Ricardo Montenegro

Bilheteria: João Alberto Alves Mendonça

Assessoria de Imprensa: Verbena Comunicação

Realização: ARTINCENA

 

Serviço

 

Sinopse: Assassino neonazista convida jovem psicopata para testar o caráter de sua esposa, uma ex-prostituta judia. No entanto, algo foge do controle.

 

Estreia: 5 de agosto. Sábado, às 21h

Viga Espaço Cênico (Sala Viga)

Rua Capote Valente, 1323 – Pinheiros/ SP – a uma quadra do Metrô Sumaré.

Tel: (11) 3801-1843. Capacidade: 75 lugares

Temporada: De 5 a 27 de agosto. Sábados (às 21h) e domingos (às 19h)

Ingressos: R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia). Bilheteria: 1h antes do espetáculo.

Aceita dinheiro e cartões de débito. 

Gênero: Drama. Duração: 90 min. Classificação: 16 anos.

Ar condicionado. Acessibilidade. Site: http://viga.art.br/

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Viga Espaço Cênico (Sala Viga) Rua Capote Valente, 1323 – Pinheiros/ SP – a uma quadra do Metrô Sumaré.