Sesc Belenzinho apresenta temporada de estreia de Gaivota com Heterônimos Coletivos de Teatro, a partir da obra de Tchékhov

SOBRE O EVENTO

Início: 11/01/2019 21:30
Fim: 10/02/2019 18:30
Onde: Sesc Belenzinho Endereço: Rua Padre Adelino, 1000 Belenzinho – São Paulo (SP)

O espetáculo Gaivota: qual o gesto de um sonho?, quinta montagem dos Heterônimos Coletivos de Teatro, estreia no dia 11 de janeiro, sexta, no Sesc Belenzinhoàs 21h30.

 

Com dramaturgia de Eduardo Joly e direção de Felipe Rocha, a peça investiga a obra do russo Anton Tchékhov (1860-1904) para indagar o que pode ser feito quando os sonhos estão desfeitos.

 

A partir da sensação de fracasso político e de ruína dos sonhos coletivos, o grupo iniciou o Projeto: Fracasso e Resistência que consiste npesquisa das quatro principais obras de Tchékhov: A GaivotaAs Três IrmãsTio Vânia e O Jardim das Cerejeiras. A peça Gaivota: qual o gesto de um sonho? é a primeira parte do projeto e tem elenco formado por Alexandra Tavares, Ametonyo Silva, Caio Caldas, Danilo Arrabal, Felipe Rocha, Lívia de Souza, Marcela Grandolpho, Naia Soares e Thaina Muniz.

 

Com uma dramaturgia criada coletivamente, o espetáculo move, no espaço vazio e reorganizável da cena, uma ação que se aproxima da questão: qual o gesto de um sonho? Da obra original do dramaturgo russo, o coletivo chegou a três acontecimentos principais que norteou a criação do trabalho: o fracasso de uma peça de teatro, a morte de uma gaivota em pleno voo e as tentativas de seguir sonhando diante dessa sensação de vazio. É a partir desses três pontos principais que a obra orbita.

 

Em uma arena vazia, os atores são atravessados por essas questões e se colocam em ação diante do público. Como em uma revoada de pássaros, as cenas se transformam continuamente sempre movidas pela ação dos atores. Segundo o diretor Felipe Rocha, “pensar a obra pelo viés de uma gaivota, que migra, gera a possibilidade de movimento”. Ele esclarece que migrar é como uma situação criativa, como uma atitude de revolta contra as condições estabelecidas. “É uma forma de engajamento para possibilitar transformações”, diz.

 

Quando começaram a criar, em outubro de 2017, o que moveu o coletivo foi uma sensação, percebida após os acontecimentos políticos da época: “uma sensação de fracasso percorria os caminhos invisíveis entre as pessoas; algo que se assemelhava ao susto de acordar num sobressalto, após um sonho”, comentam os atores. Ao mesmo tempo, movimentos se articulavam por novas formas de ações de resistência. "A nós parece que são esses dois vetores, essas duas sensações que mais fortemente têm percorrido nossos corpos enquanto cidadãos brasileiros, e então foi daí que partimos”, esclarecem. E foi dessa busca de dramaturgias, que também tivessem essas duas linhas de ação pulsando forte, que o coletivo chegou aAnton Tchékhov. Vivendo em uma Rússia em transformação, as obras carregam em suas personagens a potência da ação em busca de novas formas de se viver, ao mesmo tempo em que aflora uma profunda sensação de fracasso de diversos ideais e instituições. É um tentativa de existência emmomentos de crise.

 

A partir disso, as questões iniciais do processo criativo foram: o que fazer no campo artístico diante da sensação de vazio? Como reinventar as formas de sonhar e de se projetar como ação para o futuroA primeira resposta que pareceu possível ao coletivo foi “criar espaços de resistência coletiva em meio à sensação de fracasso”, concluem. Assim, foi por essa necessidade de repensar qual prática teatral era essa que gostariam de pesquisar nesse momento que o coletivo resolveu iniciar o projeto com a pesquisa de A Gaivota, texto em que a própria arte do teatro é colocada como um dos temas de discussão.

 

Gaivota: qual o gesto de um sonho? foi elaborado ao longo de 2018, mediante a constatação, diante dos acontecimentos que percorreram esse ano, de que a sensação de fracasso se aprofundava e se tornava mais palpável e assustadora. “O teatro, então, se mostrou para nós como o campo possível dos afetos nesses dias tão áridos. Viver esse processo foi uma maneira de reaprender como estar juntos no mundo. E é isso que desejamos nesse encontro com o público: criar uma relação real de troca e afeto”, conclui diretor Felipe Rocha.

 

Heterônimos Coletivos de Teatro

 

Heterônimos Coletivos de Teatro é um grupo de pesquisa na linguagem teatral que atua na cidade de São Paulo há sete anos. A partir de indagações, pesquisas sobre o trabalho do ator e dos aspectos políticos atuais, o grupo investiga obras literárias e textos teatrais clássicos para criar seus trabalhos de forma autoral. A cada processo, rearticula-se em um novo coletivo de maneira que mais de 20 artistas fazem parte da construção dessa trajetória. Gaivota: qual o gesto de usonho? é o quinto trabalho dos Heterônimos.

 

Seu primeiro trabalho foi Hamlet – Faltei no Psiquiatra para Consertar o Freezer, realizado em 2012. O trabalho aborda a violência e a desmedida por meio de corpos obsessivos habitantes de uma casa-reino em ruínas. Ali nasceu a pesquisa do grupo em torno da ação e de uma intensa fisicalidade, de modo a escancarar por meio dos corpos dos atores a violência de um tempo, flertando com referências da indústria cultural pop e da produtividade em série. O trabalho seguinte, Expurgo – Enterrei Édipo no Jardim e Agora Estou Pronto para Algo mais Pop desenvolve e radicaliza o que já se apontava em Hamlet. O grupo se debruçou sobre sete figuras das tragédias gregas que, proibidos de parar de dançar ao longo da peça, expurgam seus crimes e são expurgados pela sociedade por conta deles. A obra trata das formas de domesticação e normatização em sociedade. O projeto foi desenvolvido em 2013, ano em que o país foi tomado pelas jornadas de junho.

 

Tantália, criado em 2014, pesquisa o profundo cansaço vivido pelas pessoas nesse ano e traz uma realidade invertida dos espetáculos anteriores, abandonando a fisicalidade intensa para dar lugar ao corpo em esgotamento e às possíveis tentativas de retomar a sensibilidade perdida. E emRomeu e Julieta: Obra-atentado em Homenagem aos que Morreram Lutando, o coletivo partiu do clássico de Shakespeare para abordar a transgressão do amor: o amor não como romance, mas como luta, como a força capaz de destruir as estruturas já conhecidas de um tempo. A peça foi também nutrida pelos acontecimentos políticos recentes do Brasil, da intensa polarização social aberta, a partir de 2015, em que os discursos conservadores declararam guerra aberta à juventude e aos direitos humanos básicos. E foi essa trajetória que levou o grupo à investigação atual, o Projeto: Fracasso e Resistência.

 

Ficha técnica

 

Dramaturgia: Eduardo Joly. Direção: Felipe Rocha. ElencoAlexandra Tavares, Ametonyo Silva, Caio Caldas, Danilo Arrabal, Felipe Rocha, Lívia de Souza, Marcela Grandolpho, Naia Soares e Thaina Muniz. IluminaçãoMaíra do Nascimento. CenografiaMarcus Garcia. SonoplastiaEduardo Joly. Técnica de som: Joana Flor. Composição musical: Giu Castro e Sofia Maruci. FotografiaBrendo Trolesi. Arte gráfica: Brendo Trolesi e Cleber Assunção. ProduçãoCorpo Rastreado. Realização: Sesc SP.

 

Oficina: Como uma Multidão Ainda É Capaz de Coexistir e Sonhar Junto?

Com: Heterônimos Coletivo de Teatro

 

Tendo como ponto de partida os procedimentos para investigar o que o grupo chama de "Ação Coletiva", os encontros buscam um aprofundamento na técnica física e vocal do ator. Para que os atores pesquisem caminhos para agir coletivamente em cena, o grupo propõe treinamentos de movimento, ação psicofísica e canto na busca por criar estados de escuta e jogo. O trabalho do grupo vem se articulando numa tentativa de resistir na prática de uma cena feita por muitas pessoas e que se constrói através de diferentes olhares sobre os materiais. Como uma multidão ainda é capaz de coexistir e sonhar junto? Ainda é possível? É a partir dessas questões que o coletivo pretende mover esses encontros. No último dia de trabalho o grupo se interessa em abrir publicamente, em espaços da unidade, o material cênico investigado.

 

Serviço

 

Espetáculo: Gaivota: qual o gesto de um sonho?

Temporada: 11 de janeiro a 10 de fevereiro/2019

Local: Sala de Espetáculos I (80 lugares).

R$ 30,00 (inteira). R$ 15,00 (meia). R$ 10,00 (Credencial Plena).

Horários: sextas e sábados, às 21h30, e domingos e feriado, às 18h30.

Não recomendado para menores de 12. Duração: 1h30. Gênero: Drama.

 

Oficina: Como uma Multidão Ainda É Capaz de Coexistir e Sonhar Junto?

Datas: 29/01 a 07/02. Terça a quinta, das 16h às 20h

Público: Profissionais e estudantes de artes cênicas. Vagas: 30.

Local: Sala de Espetáculos I. 90 lugares.

Grátis. Não recomendado para menores de 16.

Inscrições: envio de carta de interesse para oficinadeteatro@belenzinho.sescsp.org.br até 22/01.

 

Sesc Belenzinho

Endereço: Rua Padre Adelino, 1000

Belenzinho – São Paulo (SP). Telefone: (11) 2076-9700

www.sescsp.org.br/belenzinho

MAPA

Clique para habilitar o mapa
Sesc Belenzinho Endereço: Rua Padre Adelino, 1000 Belenzinho – São Paulo (SP)