“O Atormentador”, com direção do mestre mineiro Eid Ribeiro, estreia em São Paulo, na Mário de Andrade, dia 04 de fevereiro, segunda, às 19h

SOBRE O EVENTO

Início: 04/02/2019 19:00
Fim: 25/02/2019 19:00
Onde: Biblioteca Mário de Andrade R. da Consolação, 94 - República - SP
 

 

 

"O Atormentador", espetáculo de Minas Gerais inspirado na história política e poética da América Latina, com referência em dois livros, “O Livro dos Abraços” de Eduardo Galeano e “O Senhor Brecht” de Gonçalo M. Tavares, estreia em curta temporada, no Auditório da Biblioteca Mário de Andrade em 04 de fevereiro, às 19h e permanece em cartaz até 25 de fevereiro, sempre às segundas-feiras.

 

É a mais nova peça que o profícuo diretor Eid Ribeiro coloca em cartaz, marcando a volta de sua Companhia Absurda aos palcos.

Experiência extremamente rica com reflexões sociais, mas também com humor e poesia, a trama mescla lendas, fábulas, histórias, utopias e distopias numa delicada dramaturgia em que soam as palavras, os movimentos dos corpos e a sutileza dos gestos. Representada por uma dupla de comediantes vestida como nos velhos filmes de cinema mudo, os atores Glauce Guima e Nino Batista divertem, encantam e emocionam o público, tanto adulto quanto adolescente. Parte do texto é executado também em LIBRAS, Linguagem Brasileira de Sinais.

 

“O Atormentador” não é uma peça de personagens, é uma peça de ideias. As ideias foram inspiradas no “O Livro dos Abraços” de Eduardo Galeano que, sensível e inquieto, muitas vezes colocou sua vida em risco para apoiar o lado dos mais fracos, usando as palavras como arma, tanto para denunciar torturas, mortes e desaparecimentos, quanto para ouvir na clandestinidade líderes dos movimentos de libertação”, diz o diretor Eid Ribeiro.

 

Após cumprir duas temporadas em Belo Horizonte, com estreia no Teatro de Bolso do Sesc Palladium e em seguida no Teatro João Ceschiatti, Palácio das Artes, o espetáculo chega a São Paulo para curta temporada na Biblioteca Mário de Andrade.

 

A peça estreou em agosto e tem tido um diálogo muito proveitoso com a juventude. Participou do evento anual Jornada das Utopias da PUC-Minas, onde se apresentou para mais de 400 alunos, e também participou do projeto Baixo Centro En[Cena], do Centro Cultural UFMG, e do movimento estudantil V Enet, da Federação Nacional dos Estudantes em Ensino Técnico, com representação da maioria dos estados brasileiros, contabilizando mais de 1.000 alunos. Em janeiro de 2019 participará  dos projetos “Poente Cultural UFMG” em Tiradentes, e em Belo Horizonte, do Verão Arte Contemporânea (VAC).

 

QUAL A PESQUISA DESENVOLVIDA NO TRABALHO?

Sem cenário, com a caixa preta aberta, e usando como objetos de cena apenas dois banquinhos e bastões de ferro, “O Atormentador” desenvolve uma linguagem baseada na síntese e na potência da palavra, inspirada nos primórdios do teatro, que o antecederam - a figura esquecida e tão importante dos rapsodos gregos, que levavam às ruas de Atenas a memória e a oralidade que posteriormente foram transferidas para a linguagem escrita, como a Ilíada, de Homero.

A forma de emissão narrativa, em que o ator prioriza a potência do verbo e a valorização das imagens, proporciona ao público um poder que raramente lhe é conferido - o de fazer suas próprias considerações e reflexões a respeito do que está sendo dito, sem que ele se sinta forçado a tal. O processo é tão natural, como é natural a manifestação de sua potência imagética quando entram os textos poéticos.

Aparentemente simples, mas incansavelmente depurado em sua estética do uso das palavras, do movimento dos corpos e da precisão dos gestos. A identificação da plateia é instantânea, embarca na linguagem popular de dois comediantes performáticos vestidos de chapeu coco.

Inspirado essencialmente no “Livro dos Abraços” de Eduardo Galeano, “O Atormentador” traz à cena vozes da alma e das ruas da América Latina, em um momento em que nossa história precisa ser lembrada e repensada, a partir de uma troca real de experiências - atores narrativos e espectadores ouvintes, potencializando, nesta relação, a escuta e a troca de afetos.

 

Os livros nos quais nos inspiramos

 

“O Livro dos Abraços”

Eduardo Galeano

Jornalista e escritor, Galeano nasceu em 1940, em Montevidéu, no Uruguai. Autor de mais de quarenta livros traduzidos em diversos idiomas, suas obras transcendem gêneros ortodoxos, combinando ficção, jornalismo, análise política e história. Eduardo Galeano foi um testemunho dos tempos da Guerra Fria, retratando como ninguém uma América Latina em transe guerrilheiro na luta contra a opressão sangrenta das ditaduras apoiadas pelos Estados Unidos. Muito mais que um repórter em tempos de guerra, o escritor aproveitava sua peregrinação pela América Latina deflagrada para ouvir histórias, lendas e fábulas dos povos, deixando seu espírito livre flutuar diante do universo mágico das raízes indígenas e africanas.

 

“O Senhor Brecht”

Gonçalo M. Tavares

Gonçalo Manuel de Albuquerque Tavares, escritor português, nasceu em Luanda 1970 e é mais conhecido na forma Gonçalo M. Tavares. Premiado e elogiado pela crítica, estreou em 2001 com “Livro da dança”, e vem se firmando como uma das maiores vozes do romance português contemporâneo. De sua autoria, já foram publicados diversos livros no Brasil. Estão em curso cerca de 370 traduções em trinta e seis línguas, com edição em 51 países. Em Portugal recebeu vários prémios entre os quais o Prémio José Saramago 2005 e o Prémio LER/Millennium BCP 2004, com o romance - "Jerusalém" (Caminho); o Grande Prémio de Conto da Associação Portuguesa de Escritores "Camilo Castelo Branco" com "Água, Cão, Cavalo, Cabeça" 2007 (Caminho). Prémio Branquinho da Fonseca/Fundação Calouste Gulbenkain com "O Senhor Valéry", Prémio Revelação APE com "Investigações. Novalis". Os seus livros deram origem, em diferentes países, a peças de teatro, peças radiofónicas, curtas metragens e objetos de artes plásticas, vídeos de arte, ópera, performances, projetos de arquitetura, teses acadêmicas, etc. O romance "Jerusalém" foi incluído na edição europeia de "1001 livros para ler antes de morrer – um guia cronológico dos mais importantes romances de todos os tempos".

 

 

O diretor e dramaturgo

 

Eid Ribeiro, ator, diretor, dramaturgo e roteirista.

 

É um dos artistas mais relevantes da cena artística mineira e nacional. Nascido em Caxambu em 1943, o dramaturgo, roteirista e diretor teatral já dirigiu e escreveu para coletivos como Grupo Galpão, Grupo Teatro Delle Radici (Suíça), Grupo Trama, Cia Acômica e Grupo Armatrux. Foi ainda fundador do Grupo Geração, coletivo teatral que atuou na resistência à ditadura militar no Brasil, repórter e colunista de diversos jornais mineiros e fluminenses e curador e diretor de programação do Festival Internacional de Teatro Palco & Rua de Belo Horizonte. Um dos artistas veteranos mais atuantes do cenário mineiro, Eid Ribeiro marca sua obra com um estilo inconfundível que traz referências que vão do teatro moderno norte-americano e europeu aos circos mambembes do Brasil; do experimental ao popular; do grotesco ao sublime; do existencial ao político.

 

Como dramaturgo, seus primeiros textos foram escritos durante sua internação no Sanatório dos Bancários, por decorrência de uma tuberculose, onde fez teatro com outros internos. Ingressando posteriormente no Teatro Universitário, em 1965, Eid passa a fazer parte de uma geração importante de autores que inclui nomes como Alcione Araújo e José Antônio de Souza. Desde então, seus textos já foram encenados por diversos grupos e diretores espalhados pelo país, vencedores de vários concursos e prêmios.

 

São dezenas de prêmios ao longo de 50 anos de carreira. Primeiro Lugar no II Concurso Nacional de Dramaturgia da Fundação Clóvis Salgado, com a peça Alma de Gato. Troféu João Ceschiatti/Associação Mineira dos Críticos Teatrais Melhor Diretor do ano. Montagem: O Despertar da primavera Produção: Grupo Carne e Osso. Troféu Kikito – Festival de Cinema Gramado - pela trilha sonora adaptada do filme de longa-metragem: “Elas e os homens”. Troféu Fundacen de Artes Cênicas – Melhor Diretor do ano Montagem: Fim de Jogo. Troféu Cauê – Melhor diretor do ano Montagem: Álbum de Família Produção: Grupo Galpão. Troféu Grande Otelo – 1o Lugar Concurso Nacional de Dramaturgia / SEC Texto: Lágrimas de Guarda-Chuva. Prêmio Coca-Cola para Teatro Infantil / São Paulo Peça: Anjos e Abacates. Prêmio SESC/SATED, Melhor diretor, espetáculo “John e Joe” com Grupo Trama. 7º Prêmio Usiminas/Sinparc, Melhor diretor, espetáculo “No Pirex” com Grupo Armatrux.

 

O elenco

 

Glauce Guima, atriz, dramaturga, diretora, performer e produtora. Formada em Artes Cênicas pela Universidade Federal de MG, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde trabalhou no teatro com diretores como, Domingos Oliveira, Bruce Gomlevsky, Eduardo Wotzik. No cinema, seu trabalho em “BR716” (2016) de Domingos Oliveira, lhe rendeu o Kikito de Melhor Atriz Coadjuvante no Festival de Gramado e Melhor Atriz no FestIn de Lisboa. Desenvolve projetos de autogestão em casas, como “Teatro de Cama” no Rio de Janeiro, e o “Sala para Rapsódias”, em que circula por diferentes estados em sessões lítero-performáticas. Em 2015, escreveu a peça “Ana e Boi”, publicada pela editora Sesi-SP. Em 2016, o espetáculo “Vendaval”, coautoria com Junia Pereira, publicada pela Editora Perspectiva, a partir do projeto Janela de Dramaturgia.

 

Nino Batista, ator, performer, formado em Artes Cênicas pela  UNIRIO (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro), conheceu teatro através do Grupo Nós do Morro em 2008 no qual participou de diversas montagens da CIA do Grupo, dentre elas “Barrela” com direção de Paulo Giannini; “Bandeira de Retalhos” com direção de Guti Fraga e Fátima Domingues; “Domando a Megera” com direção de Fernando Mello, passando assim por diversos Editais dentro e fora do Estado do Rio de Janeiro, entre outras práticas de montagem. Na Unirio é integrante e fundador do Grupo Sem Cara, onde desenvolve com seus parceiros uma pesquisa de teatro físico, movimento e imagem, que tem como primeiro resultado o espetáculo “GIF” apresentado na própria Unirio, passando depois para o espetáculo "Antes Carne Q Alma Mal Lavada", apresentando em festivais através de intercâmbio como Satyrianas em São Paulo, Fringe em Curitiba e Festival de Teatro de Ouro Preto. Integrante do Grupo Caras Pintadas, atua em performances ativas, cenas e peças de teatro de rua nas praças, ônibus e metrôs da cidade.

 

 

 

Para maiores informações sobre o espetáculo:

Vídeo do espetáculo na íntegra

Clipping da peça

Clipping Companhia Absurda

Fotos de divulgação

Facebook: O Atormentador

Instagram: @oatormentador

 

 

Ficha técnica:

 

Direção e dramaturgia: Eid Ribeiro

Atuação: Glauce Guima e Nino Batista

Figurinos e objetos cênicos: Marco Paulo Rolla

Trilha sonora: Eid Ribeiro e João Santos

Fotos: Guto Muniz

Projeto gráfico: Liz Schrickte

Apoio: C.A.S.A - Centro de Arte Suspensa e Armatrux, Centro Cultural UFMG, Grupo de Dança Primeiro Ato, Grupo Nós do Morro

Produção: Aviva Produções e Cia Absurda

 

SERVIÇO

 

Biblioteca Mário de Andrade

 R. da Consolação, 94 - República

Tel. (11) 3775-0020

Dias 04, 11, 18, 25 de fevereiro, às 19h

todas as segundas de fevereiro, às 19h
Duração: 60 minutos

Indicação de faixa etária: 12anos

Acesso para deficientes

Lotação: 170 lugares

As senhas começarão a ser distribuídas uma hora antes. Um

ingresso por pessoa.

 

MAPA

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